
Após alguns meses de procura, finalmente apareceu uma empresa disposta a me pagar em troca das minhas habilidades em análise de sistemas. :-)
Foram 4 meses de busca.
Não vou dizer que foi fácil. O mercado de trabalho de Montreal é bastante exigente em relação ao bilingüismo para posições iguais à que eu tinha no Brasil. Isso dificultou um pouco as coisas para mim, pois ainda tenho um pouco de dificuldade com o francês. Aprender um língua nova é algo que não acontece de uma hora para outra; requer bastante dedicação. E com certeza minhas 162 horas de curso de francês que eu fiz no Brasil não eram suficientes para desempenhar bem qualquer função.
Além disso, fazia pelo menos uns 6 anos que eu não procurava um emprego estando
desempregado. Procurar emprego é como qualquer outra atividade de tempo integral. Existem técnicas e métodos que devemos conhecer e empregar. É preciso se planejar. É preciso aprender também. Uma das coisas que me ajudou bastante a retomar o gás das entrevistas e redação de currículos foi o YouTube. Procurei alguns
vídeos com dicas de entrevistas que me foram muito úteis.
Existem outras dicas que eu coletei ao longo desses 4 meses, que a maioria das pessoas já conhece:
- Ligar depois de 1 ou 2 dias após submeter seu currículo para uma vaga;
- Customizar o currículo, incluindo somente a experiência relacionada à vaga pretendida;
E a mais importante:
- Escrever uma carta de apresentação. Não pode ser uma carta-padrão. Tem ser uma carta diferente para cada vaga que submeter o currículo. Basicamente, você tem que se vender pela carta e dizer ao recrutador porquê você é a pessoa que ele está procurando.
O interessante é que, com exceção das dicas de entrevista, nenhuma dessas dicas me ajudou a achar o emprego onde estou hoje. Eles acharam meu currículo no monster.ca e entraram em contato comigo. Daí em diante foi só usar as dicas de entrevista e responder as perguntas que me fizeram em 3 ligações, 1 entrevista por telefone e 1 entrevista pessoal.
Lógico que eu não segui todas as dicas à risca, mas... acabou dando certo.
Não vou dizer também que o período de busca de emprego foi horrível. O fato da Má já estar empregada me dava uma certa tranqüilidade. Nesses 4 meses, não estávamos vivendo com fartura, mas também nunca faltou nada em casa.
No começo usamos boa parte das nossas reservas que trouxemos do Brasil e dos presentes que recebemos dos nossos amigos para montar nossa casa e viver uma vida confortável.
Porém, de maneira geral, conseguiríamos manter o nosso padrão de vida atual por bastante tempo, mesmo que eu não arrumasse um emprego tão logo.
« Editado em 31-out: Acabei esquecendo de mencionar os presentes que recebemos dos familiares. Meu pai e minha mãe ajudaram bastante também nos presentes. Muito obrigado aos dois! :-) »
Por conta disso, preferi esperar o momento certo para não ter que dar um passo para trás na minha carreira. Eu realmente queria continuar a fazer exatamente a mesma coisa que eu fazia no meu antigo emprego.
Eu poderia ter procurado algumas vagas, que pagam quase que a mesma coisa, para executar algumas funções que eu já executei alguma vez no passado. Mas existe um motivo pelo qual eu parei de fazer tais coisas. Eu ficaria entediado de ter voltar a fazer algo que já fiz um dia e depois parei. Não teria prazer em desempenhar bem no meu novo emprego.
Também dei preferência a empresas anglófonas. Existem bastantes aqui em Montreal. Fiz isso mandando meu currículo e cartas de apresentação exclusivamente em inglês. E quando era indagado sobre o meu nível de francês, fazia questão de deixar claro que não era um nível suficiente, mas que estava muito interessado em aprender de vez a língua.
Não posso dizer que essas dicas funcionam, afinal eu não achei um emprego. Fui achado. Mas eu cheguei bem perto disso: estava para ser contratado por uma empresa que tinha uma vaga exatamente no meu perfil. A entrevista pessoal durou quase 1h30 com direito a testes para avaliar minha velocidade de aprendizado e tudo mais. Eu tinha adorado a empresa. Estilo jovem, parecia bastante dinâmica. Se tivesse dado certo, seria o típico caso em que a empresa escolhe o profissional e o profissional escolhe a empresa. A segunda entrevista pessoal foi com o diretor de TI. Nessa, ele disse que iria ser sincero: gostou de mim, gostou do meu perfil, eles precisavam de um profissional como eu, porém a crise americana tinha afetado um pouco os planos de crescimento da empresa nos EUA. E a vaga que eu estava concorrendo estava diretamente ligada a esses planos. A vaga foi cancelada. Mas o diretor de TI fez questão de me passar um dos contatos deles e pediu para dizer que eu tinha sido indicado por ele.
Não entrei em contato com o cara que o diretor me indicou, porque a conversa com a empresa onde estou trabalhando agora já estava bem avançada. Eu não queria trocar o certo pelo incerto. Preferi guardar o Ás na manga.
De maneira geral, foi um bom período de aprendizado. Consegui descansar bastante também. Agora eu posso aproveitar que estou descansado para dar o melhor de mim no meu novo emprego.
Gostaria de finalizar esse post agradecendo às pessoas que aceitaram ser minhas referências: Marcelo Ariki, Moisés Feijão, Fabiana Fukuda e Carolina Costa. Obrigado pela paciência de responderem os questionários imensos que as empresas mandaram.